Somos Todos a Tripulação da Terra - Christina Koch
Na volta da nave Artemis 2, a astronauta Christina Koch revelou ao mundo uma verdade simples e grandiosa: “somos todos a tripulação da Terra”. Espremidos em um espaço pequeno, unidos em harmonia, amor e cooperação, os tripulantes viveram uma experiência magnífica. Mas não percebemos que aqui, em nosso planeta, podemos viver uma realidade semelhante.
Assim como ela se deslumbrava diante da escuridão infinita que circunda a pequena esfera azul, também nós deveríamos contemplar o gigantismo do desconhecido e reconhecer nossa fragilidade. O essencial, como disse o autor do Pequeno Príncipe, só pode ser visto pelo coração. A ciência nos dá estrutura racional, mas sem sensibilidade, o coração se enfraquece e perde a capacidade de ver a grandeza do universo.
A cabala ensina que o progresso não é o acúmulo, mas o fluxo permanente. Isso significa que podemos ter acesso a uma fonte infinita de recursos e inspirações, mas em seguida distribuir de forma enriquecida e pratica para o bem de todo o sistema.
No entanto, o que vemos é o acúmulo de riquezas e conhecimentos em poucas mãos, enquanto a maioria permanece na pobreza e na ignorância. O egoísmo nos faz esquecer que estamos todos comprimidos no mesmo espaço, navegando juntos pela imensidão cósmica. Todo acumulo gera um poder, mas quando este poder não é distribuído ele causa uma anomalia no sistema.
Vemos no nosso corpo centros de poder ao serviço de todo o sistema, usando apenas o que precisa para se manter forte e ativo. A vida do sistema é garantia da existência do individuo, mas quando uma celular ou órgão deixa de trabalhar pelo sistema todo o sistema é afetado e o resultado é a morte do sistema inclusive daquele que se apropriou do bem coletivo.
Platão já advertia: não se pode separar médicos do corpo e médicos da alma. O timo, essa pequena glândula que simboliza a energia vital, reflete nossa vontade de sarar. Ele nos lembra que ideias negativas enfraquecem, mas fé, coragem e confiança ativam forças de cura. Assim também é a humanidade: quando se deixa dominar pelo medo e pela inveja, enfraquece; quando se abre ao amor e à cooperação, floresce.
O testemunho da astronauta ecoa como um chamado: somos todos tripulantes da mesma nave, a Terra. Precisamos aprender a viver como eles viveram lá em cima — unidos, conscientes, solidários. Pois o universo nos observa, e o futuro depende da nossa capacidade de transformar acúmulo em fluxo, egoísmo em partilha, racionalidade em sensibilidade.
Que possamos despertar para essa verdade: não há salvação individual, apenas a travessia coletiva. Somos todos a tripulação da Terra.
H.A.V.J

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