segunda-feira, 30 de abril de 2018

A mente da preguiça


A mente da preguiça lhe falará com intimidade, aconselhando-o como se fosse um verdadeiro amigo. Sussurrando em seu ouvido, atraindo-o, ela lhe promete prazer e satisfação sem nenhum esforço de sua parte. Mas, esta mente da preguiça jamais lhe diz que, para alcançar o que ela tem a lhe oferecer, você precisa desistir de tudo o que tem valor real e duradouro.

Tudo isto é retratado na seguinte história:

Lelo Sempra e Tsondru Nyidpa eram dois irmãos que, não há muitos anos, viviam no Tibete. É chegada a hora de saírem pelo mundo em busca de sua fortuna, puseram-se a caminhar juntos. Lelo, o mais velho, era ótimo conversador e, frequentemente conseguia o que queria graças a essa habilidade. Tsondru, embora não tão esperto quanto o irmão, era forte e de bom coração, disposto a trabalhar com afinco para atingir seus objetivos.

Enquanto viajavam, os irmãos muitas vezes caminharam vários quilômetros em silêncio. Durante essas jornadas, Tsondru planejou uma estratégia para realizar seu objetivo: Iria procurar trabalho numa cidade grande e economizar o suficiente para comprar sua própria loja. Por sua vez, Lelo passou horas em silencio sonhando com a vida agradável que almejava: uma vida cheia de riquezas, com muito conforto e amigos dedicados. Quando não estava sonhando com o futuro, Lelo caminhava quilômetros saboreando a lembrança de ocasiões felizes do passado. Ao compartilharem entre si seus pensamentos, Tsondru falava a Lelo de suas ambições, e Lelo dava a Tsondru conselhos sobre como realizar seus objetivos.

Era enorme o entusiasmo de Tsondru, sempre disposto a fazer o que precisava ser feito. Ao acamparem, a cada noite, era Tsondru que apanhava a lenha para o fogo e preparava o jantar, enquanto Lelo ajudava com observações como: “Se você juntar mais gravetos, o fogo aumentará e nosso arroz ficará pronto mais depressa”. As recomendações de Lelo eram tão úteis que Tsondru nem percebia serem estas as únicas contribuições feitas pelo irmão.

Lelo, por sua vez, não deixava de levar em conta o espírito empreendedor e sempre bem-disposto de Tsondru e, aos poucos, percebeu que uma aliança lhe garantiria facilmente a realização de seus sonhos de uma vida abastada e folgada. Um dia, sugeriu a Tsondru:

- Quando chegarmos a cidade, irmão, vamos ficar sócios num negócio; juntos certamente seremos muito bem-sucedidos.

Tsondru refletiu sobre a proposta enquanto caminhavam e finalmente respondeu:

- Você é perspicaz e dotado de muito bom-senso. Creio que será uma decisão acertada trabalhar com você.

E assim firmaram o trato.

Chegaram por fim os irmãos a Shigatse, uma grande cidade tibetana, cheia de burburinho de tente tentando ganhar a vida. Decidiram ficar lá, e Tsondru imediatamente começou a pensar em trabalhar.
Lelo, porém, achou que precisava de tempo para conhecer melhor a cidade e investigar todas as possibilidades, antes de pôr mãos à obra. Desse modo, Tsondru saiu sozinho e logo arranjou trabalho. Sua renda era suficiente para o sustento de ambos, mas não sobrava nada para economizar. Crendo que Lelo logo arranjaria trabalho, Tsondru sustentava o irmão com satisfação.

Dentro de pouco tempo, as maneiras afáveis e espirituosas de Lelo trouxeram-lhe muitos amigos e a pequena casa que compartilhava com Tsondru não raro se enchia de gente. A cerveja jorrava em abundancia e as conversas eram animadas.

Tsondru trabalhava bem e em consequência o patrão o aumentou, mas as despesas com as festas do seu irmão consumiam toda a renda.

Vez por outra, um dos amigos dos irmãos chamava Tsondru a parte e lhe mostrava delicadamente que Lelo pouco contribuía em suas vidas.

- Será que ele vai encontrar trabalho? Perguntava o amigo. Quais são os planos dele?
Essas perguntas deixavam Tsondru confuso e ansioso, mas defendia o irmão dizendo:

- Lelo precisa de tempo para encontrar uma posição que seja boa de verdade. Além disso estamos sempre rodeados de boa companhia.

E quando Tsondru questionava Lelo sobre o assunto ele sempre conseguia acalmar Tsondru com suas belas e sabias palavras.

O tempo passou e um dia  o patrão de Tsondru entrou em dificuldades financeiras e foi obrigado a encerrar seus negócios e despediu Tsondru.

Pensativo, Tsondru sentou em uma casa de chá para refletir. Enquanto estava perdido em seus pensamentos, um jovem aproximou-se e perguntou se podia compartilhar sua mesa. Tsondru ofereceu
o lugar ao rapaz e perguntou seu nome.

- Chamo-me Gewa Chskyi e acabo de chegar a Shigatse. Tenho planos de encontrar um trabalho e economizar dinheiro suficiente para abrir um pequeno negócio.

Os olhos do jovem brilhavam, sua personalidade era dinâmica e cheia de entusiasmo. Era fácil perceber que ele certamente conseguiria atingir seus objetivos. Seu entusiasmo certamente contrastava com o vazio e a melancolia que enchiam o coração de Tsondru.

Então Tsondru se deu conta que havia perdido uma preciosa oportunidade. Exatamente como o Jovem Gwa, tivera grande ambição e ansiara por ter seu próprio negócio, pelo êxito no trabalho e pela satisfação e contentamento que seus esforços lhe trariam.

Por alguma razão, porém, as coisas não saíram como ele planejara. Ali estava ele, sem emprego, não era mais jovem e tinha realizado pouco em sua existência.

Quanto mais refletia, mais compreendia que a influência de Lelo se achava na raiz do seu vazio. Lelo prometera contribuir muito, mas na verdade, apenas tomara tudo de Tsondru. Pouco a pouco fora consumindo o tempo e a energia de Tsondru, minando os seus planos de vida.

Voltando-se para Gewa, Tsondru lhe disse:

- Quero lhe dar um conselho: Não sei onde você pode encontrar trabalho, mas encontre-o depressa e trabalhe com afinco. Não deixe que a palavra dos outros o afaste do seu objetivo. Se insistirem para você aumentar seu tempo de folga, ou disserem que você trabalha demais, não de ouvidos – não são bons amigos. Em vez disso, ouça seu coração e seu objetivo, siga o que ele diz. Depois, quando chegar a minha idade, você estará mais do que contente – sua vida será plena e rica, e seu coração orgulhoso e confiante. Mesmo que você perca a riqueza que conquistar, ainda assim irá prosperar porque possuirá o tesouro da satisfação profunda e da apreciação da vida.

Despedindo-se do rapaz, Tsondru tomou a decisão de conversar seriamente com seu irmão Lelo. Diante de Lelo Tsondru contou que perdera o seu emprego e se dera conta que já não eram mais jovens e cheios de vigor e que a vida que levavam não lhes daria realmente nada. Contou que decidira deixar Lelo e seguir sozinho sua vida, pois ainda lhe restavam forças para trabalhar e recomeçar seus planos.

Lelo então tomou-se de raiva e acusou Tsondru de traí-lo e abandona-lo para buscar seus objetivos de forma egoísta. Acusou o patrão de Tsondru e pôs a culpa em tudo e em todos, mas não levou em conta que foi sua própria preguiça a origem de todos os problemas.

Tsondru partiu e se estabeleceu em outra cidade. Em poucos anos havia poupado o suficiente para abrir seu próprio negócio com o qual tanto sonhara e em breve tempo tornou-se prospero e bem considerado. Enquanto isso, Lelo passou o resto de sua vida perambulando de cidade em cidade, contando histórias nas tabernas, em troca de alimento e companhia.

Na língua Tibetana, a palavra Lelo significa Preguiça, e Tsondru significa Vigor. Ambas as qualidades são inatas em todos nós, cabendo-nos escolher qual delas iremos cultivar em nossa vida cotidiana.

A mente da preguiça finge ser nossa amiga, oferecendo-nos conforto e prazer; na verdade, porém, vá aos poucos consumindo os sonhos que nos são mais caros, oprimindo-nos tanto que mal conseguimos nos mover.

Ela é o maior obstáculo no nosso progresso espiritual. Quando nos aprontamos para o trabalho, a mente da preguiça diz-nos para esperar, descansar um pouco, ou fazer uma outra coisa, pois haverá tempo mais tarde para tal atividades. Essa mente parece sempre sensata e, como Tsondru, podemos ser hipnotizados pela sua “logica da preguiça”.

Mas podemos dar as costas a preguiça e ouvir a sabedoria de nossa natureza interior. Desenvolvendo a força e o vigor, perseguindo pacientemente nossos objetivos. Podemos resistir as tentações de Lelo.
Podemos nos propiciar a confiança que advém do uso produtivo de nossas energias. Quando nos desvencilhamos da mente da preguiça, não há limites para o que podemos realizar.

Extraído do Livro : A Mente Oculta da Liberdade - Tarthang Tulku

sábado, 24 de março de 2018

O Sono dos Prisioneiros

Terra

Cristopher Frysley
Extraído do Livro " O DESPERTAR DA TERRA, O CÉREBRO GLOBAL"  de Peter Russel.

O Coração humano pode transpor a distancia de Deus.
Escuros e Frios podemos ser,
Mas não estamos mais no inverno,
A miséria congelada de séculos.

Fissuras, fraturas,
Começam a mover os Trovões.
É o Trovão da enxurrada, o Thor,
As torrentes do início da primavera.

Graças a Deus, o nosso tempo é agora,
Quando o mal vem ao nosso encontro
em toda a parte, Nunca nos deixando,
Até darmos o maior passo que a alma do homem jamais Tentou

Nossos medos são agora da nossa alma:
O empreendimento é inspirarmos em Deus.
Mas Para onde você vai,
Leva tantos milhares de anos para acordar,

Mas Acorde,

Pelo Amor de Deus!


Se desejar saber mais, pode ver o Vídeo  sobre este tema:
O DESPERTAR DA TERRA, O CÉREBRO GLOBAL - Peter Russel

O equilíbrio do numero 8 - Assim na Terra como nos céus


E os evangelhos nos dizem ainda : "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. Mateus 16:19".  “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Apocalipse 3:7 "

Coisas físicas são nossos instrumentos para pescar coisas dentro de nós, que usamos para alcançar novas perspectivas combinar as realidades já conhecidas para abrir outras portas nos céus.

"Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. Mateus 13:47"

Para toda ação há de haver uma reação para reajustar a ordem perdida, aquilo que está em cima, no plano da ideia é igual ao que está em baixo, no plano da expressão. A ideia pertence ao plano vertical e desce ao plano horizontal em um fluxo de realização em busca da perfeição ou verdade original.

A diversidade nos mostra as faces de Deus. Temos procurado Deus sentado em um trono ou descansando no sétimo dia, mas ai não o acharemos, pois cada flor, cada inseto, cada árvore, cada ser tem um pouco desta face e cada obra humana reverencia e expressa sua vida e seu poder.  Reik disse : "Somos abelhas do invisível, loucamente levando o mel do visível para o Invisível" Tudo é sagrado.

Um se fez três e o três se fez milhões. Isto significa que é pela diversidade que encontraremos a tão sonhada unidade. Se mil tiverem uma reflexão sobre um tema, teremos mil perspectivas. E, portanto, não poderemos encontrar a ideia original sozinhos, precisamos da perspectiva dos demais. Que cada um cresça e se multiplique e encontre sua perspectiva única para que eu também possa encontrar a minha e assim possamos ver a luz.

Mas se a porta é estreita, talvez seja porque nela deve passar apenas um desejo, uma ideia de cada vez. O "homem rico" não pode entrar no reino dos céus. Como poderia, se para lá nada pode levar e de lá nada necessita, pois está cheio de si mesmo.

Amado Nervo aconselha ainda:

"Busca dentro de ti, a solução para todos os problemas, mesmo daqueles que julgares mais exteriores e materiais.


Na perspectiva do amor divino, não somos pecadores ou santos, culpados ou inocentes, somos criaturas amadas e acariciadas pelo vento, pelo sol, alimentados pelos vegetais e frutas, aquecidos pelo sol e refrescadas pelos rios, pela chuva e pela brisa do mar. Somos sua presença viva no mundo e cada aventura nossa é cheia de sua onipresença. 

Mas pobre daquele que acredita que é o dono de alguma coisa, porque despreza a  parceria com o invisível, sempre presente a lhe guiar. Então torna-se então escravo da ilusão e ambição desenfreada e perde o senso de justiça e equilíbrio.


"Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Romanos 2:13"  E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?

Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras Tiago 2:16-18 "

Nos admiramos com as coisas grandiosas que conseguimos como sociedade, como os meios de transporte, as comunicações, a tecnologia, as viagens espaciais, as grandes obras, as grandes conquistas da indústria e da ciência. Mas as vezes tudo parece uma grande loucura sem controle e nos perguntamos se não deveríamos ter permanecido na inocência e na pureza, se não deveríamos limitar a ambição que destrói matas e rios para construir estradas, pontes e hidroelétricas.


Os caminhos tortos nos levam a todos ao topo das montanhas onde podemos vislumbrar a verdade e perceber que não ha nada de errado no universo. São apenas caminhos de cada um, atalhos escolhidos livremente para criar seu próprio universo e que a Justiça é a grande lei de amor.


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