segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Azul e rosa


É impressioanante como a raiz de todo o conflito humano se resume a essa dualidade. Tudo o mais são matizes derivadas de múltiplas combinações.

Inteligência e amor.
Firmeza e sensibilidade.
Concentração e expansão.
Disciplina e criatividade.
Ordem e liberdade.

Masculino e feminino…

Geralmente as pessoas escolhem um lado e combatem o oposto porque não conseguem viver  as duas realidades integradas.

Posições políticas, religiões, partidos, times, gênero e até opção sexual…

Tudo tem a ver com a necessidade de fazer uma escolha de um dos lados porque é  muito difícil para o ser humano o exercício da dualidade.

Preferimos sempre o caminho mais fácil de acordo com nossas preferências e limitações.

O religare da religião é na verdade a unificacao do próprio indivíduo. Pois os verdadeiros conflitos são internos, espelhados no exterior.

Mas a unificação desejada não poderá ser encontrada enquanto não usarmos as duas partes de nossa natureza em simultâneo para  vivenciar em harmonia o contraditório que nos ameaça.

Os egípcios representaram esta dualidade unificada  como um círculo alado.

Os indus por um ponto pintado acima do nariz, entre os dois olhos, como uma terceira visao.

Os Pitagóricos a expressaram como o vertice de um triangulo equilátero.

Mas tudo isso são apenas símbolos pálidos da  realidade interna do ser humano.

Mente e coração unidos para compreender e sentir a vida em toda sua plenitude.

Mas ninguém como Jesus demonstrou como a lei e o amor podem conviver em perfeita harmonia.

O inimigo que ele recomendou perdoar nunca esteve fora de nós. A outra face não era apenas uma expressão física. O pão e o vinho são partes de nossa natureza fragmentada que almeja a plenitude…

Porque o oponente não é verdadeiramente o nosso inimigo, mas aquilo que irá nos lapidar e nos transformar.

São as forças contrárias que nos obrigam a sair da zona de conforto e buscar novas alternativas.

Mas o caminho do meio não é o meio do caminho.

A unidade aqui citada não seria uma fusão nem mesmo a redução do potencial das partes, muito pelo contrário.  É preciso potencializar o joio e o trigo para que então o ser compreenda sua natureza real e possa ver a vida do universo habitando dentro de si mesmo.

E então compreenderá a necessidade de se reconciliar com tudo e com todos e buscar a harmonia dos contrários…

22 de agosto de 2019

João Sérgio

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Azul e rosa

É impressioanante como a raiz de todo o conflito humano se resume a essa dualidade. Tudo o mais são matizes derivadas de múltiplas combin...